Domingo, 19 de Julho de 2009

Tiquetaque

Tiquetaque, tiquetaque

Essa arte que nos parte

Tenho de ir, não posso ficar

Quero ficar, mas tenho de ir

Teus ponteiros impiedosos

O tempo que nunca páras

As obrigações que disparas

O som do pêndulo

Que não esqueço

Que não mereço

Tiquetaque, tiquetaque

Prisioneira das horas

Dos minutos, dos segundos

Apertada nestes mundos

Do ter e do dever

Sem tempo para criar

Amar

Andar para a frente sempre

Olhar sem ver

Ouvir, sentir

Tiquetaque, tiquetaque

E não poder fugir

Aos grilhões firmes, persistentes

E com esgar e entre dentes

Odiar-te

Ladrão do nosso tempo

Ladrão do passatempo

Tiquetaque, tiquetaque

Eu quero viver desordens

Que não tenho

Que não posso

Escrava da hora que passa

Chegar tarde

O que é chegar tarde?

E a vida arde

E há prazer que tarda

Morte à hora

Tiquetaque, tiquetaque.

Fora!

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Publicado por Isabel Sá Lopes às 19:44

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