Quinta-feira, 11 de Setembro de 2008

Retrato

Não era muito alto e era magro

Os óculos grossos descansavam-lhe no nariz

A face e o rictus pesavam de raíz

Teimava com todos e com tudo

A perfeição é tão difícil de atingir

E querer chegar lá, sem jamais mentir

Não é impossível, é fado complicado

Cursava em Coimbra e trabalhava

Já tinha alunos a quem dava lições

Dizia-se que também dava sermões

ISTO está tudo mal, pá!

ISTO não é país!

ISTO está no final!

E atacava tudo nas suas canções

Não havia um senão

Neste país tudo eram frustrações

A LIBERDADE, pá

Onde é que ela está?

O pão? Poucos têm o seu quinhão

Estudar? Só para senhores

E filhos de doutores

ISTO está tudo mal, pá!

A canção que eu faço ataca

Mas não chega

ISTO não é PAÍS!

Sem LIBERDADE somos todos vis

Uma luz agora

Tu acreditas? EU NÃO!

ISTO só lá vai com um grande safanão

ISTO só lá vai se tudo fôr abaixo

Ditadores, bufos, pides

ISTO só com o POVO, REVOLUÇÃO

 

Isabel Sá Lopes 

Publicado por Isabel Sá Lopes às 17:16

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1 comentário:
De amelia a 16 de Janeiro de 2010 às 21:09
gosto imenso dos poemas e confesso que o de homenagem a zeca afonso me comove particularmente.
Parabnes pela sua sensibilidade, è pena que poucas pessoas se interessem pela poesia neste País.

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