Domingo, 27 de Julho de 2008

Estou Cansado

 

 

Estou cansado, é claro,
Porque, a certa altura, a gente tem que estar cansado.
De que estou cansado, não sei:
De nada me serviria sabê-lo,
Pois o cansaço fica na mesma.
A ferida dói como dói
E não em função da causa que a produziu.
Sim, estou cansado,
E um pouco sorridente
De o cansaço ser só isto —
Uma vontade de sono no corpo,
Um desejo de não pensar na alma,
E por cima de tudo uma transparência lúcida
Do entendimento retrospectivo...
E a luxúria única de não ter já esperanças?
Sou inteligente; eis tudo.
Tenho visto muito e entendido muito o que tenho visto,
E há um certo prazer até no cansaço que isto nos dá,
Que afinal a cabeça sempre serve para qualquer coisa.
Publicado por Isabel Sá Lopes às 18:52

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1 comentário:
De Maria Antonieta Soares a 30 de Julho de 2008 às 19:03
Olá, Isabel

Acabei agora de ler e ouvir os teus poemas dos quais gostei muito.
Desejo-te as melhores felicidades para este novo projecto digital e os parabéns também ao teu neto por ter tornado isto possível.

Um beijo
Antonieta


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