Quarta-feira, 22 de Julho de 2009

Eldorado - Edgar Allan Poe

Gaily beddight / A gallant knight

In sunshine and in shadow / Had journeyed long ,

Singing a song , / In search of Eldorado

 

 

But he grew old - / This knight so bold -

And o ´er his heart a shadow / Fell as he found

No spot of ground / That looked like Eldorado

 

 

And , as his strength / Failed him at length

He met a pilgrim shadow - / " Shadow, " said he ,

" Were can it be - / This land of Eldorado ? "

 

 

" Over the Mountains / Of the Moon

Down the Valley of the Shadow , / Ride , boldly ride,"

The shade replied - / " If you seek for Eldorado ! "

 

sinto-me: poesia
Publicado por Isabel Sá Lopes às 16:22

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Um Sonho Noutro Sonho - Edgar Allan Poe

Aceita em tua fronte este meu beijo! /E, neste instante em que te deixo ,

Deixa que ao menos te confesse/Que não é ilusão , se te parece

Que minha vida em sonhos se entretece ;/Mas,se acaso a esperança fugidia

Se some numa noite ou num só dia , / Numa visão...ou não...será por isso

Menos certo o seu sumiço ? / Tudo o que é visto , tudo o que é suposto

É só um sonho noutro sonho posto

 

Eis-me aqui entre o bramido/ Do mar que junto à costa é sacudido

E guardo na mão fechada / Uns grãos de areia dourada ...

Tão escassos !...mas num segundo / Dos dedos vão para o fundo ,

E eu choro , ah , desabalado ! / Oh , Céus ! Porque os não aperto

Com um laço mais esperto ? /Oh , Céus ! Por que não posso eu salvar

Um só...das garras desse ímpio mar?/Tudo o que é visto,tudo o que é suposto

É só um sonho noutro sonho posto ?

 

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Publicado por Isabel Sá Lopes às 16:19

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Domingo, 19 de Julho de 2009

A Vindima

Com os cestos aos ombros

Vergados, cansados

Pendurados nas encostas a pique

As vinhas carregadas, belas

O vinho é o sangue do esforço

Da mulher e do homem fortes

As folhas amarelo-castanhas, vermelhas

Com o sol a reflectir Beleza

E o trabalho, todo ele aspereza

E ao fim da tarde, exaustos, gastos

Esperam quem os leve a casa

Conversam, riem

Parecem felizes

O trabalho, o dever cumprido

Quem não trabalha, não come

E eles sabem que é assim, ali

E a beleza, tanta beleza à volta

Faz descansar a Alma, a vista

O vinho é caro, vai pelo mundo fora

Enche os bolsos de muitos

Que lhes estão acima

Mas o trabalho, o esforço é da vindima

São poucas as moedas

Para pagar este suor

Misturado com os cachos

Argamassa deste labor

E foi este esforço não reconhecido aqui

Que alcandorou o Douro

A Património da Humanidade

A Património Mundial

É Beleza, é sofrimento igual.

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Publicado por Isabel Sá Lopes às 21:22

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Dia luminoso, lavado

Dia luminoso, lavado

Da janela larga, iluminada

Vejo a cidade bem perto

Tudo a nu, a descoberto

A mãe empurra com enlevo

O filho querido, desejado, amado

O amor, esse bem maior

É visível, é possível

Namorados abraçados ao sol

Entre beijos e desejos

Amigos, cumprimentos efusivos

Amizade invade a cidade

Dia luminoso, lavado

Da janela larga, iluminada

Vejo velhos vergados

Passos arrastados

O verão que se aproxima

Já passou por eles

O sol é refrigério

O sol esse mistério

Já nem os aquece

A alma ainda estremece

O corpo não obedece

E o que se esquece... esquece...

Dia luminoso, lavado

Da janela iluminada

Vejo gente, tanta gente que está só

A tristeza, a solidão lá estão

O rosto, o espelho da Alma

É triste não se acalma

E todo o esforço é vão

Dia luminoso, lavado

Da janela iluminada

Vejo crianças a correr, felizes

Correm saltam os petizes

Sorrio com aquelas brincadeiras

Com essas emoções tão verdadeiras

Dia luminoso, lavado

Dia harmonioso, encontrado.

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Publicado por Isabel Sá Lopes às 21:06

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Aliviai

Deixai romper o Sol

Ó nuvens tão pesadas

Mesmo as esbranquiçadas

Espectáculo variado, inconsistente

Desenho estranho, demente

Misterioso

Indecifrável

Mutável

Deixai romper o Sol

Ó nuvens tão armadas

De água carregadas

Aos empurrões

Aos baldões

Nesse céu sem luz

Sem brilho

Sem tino

Um desvario desajustado

Deixai romper o Sol

Ó nuvens ribombantes

Tonitruantes

Iluminadas

De raios em ziguezague

Armadas de lanças

Prontas a devastar

Preparadas para matar

Deixai romper o Sol

Ó nuvens desgostosas

Tão chorosas

Do mal que nos causais

De peso absurdo

Que vós trazeis ao mundo

Desditosas

Deixai romper o Sol

Aliviai

 

 

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Publicado por Isabel Sá Lopes às 20:57

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A propósito do Dez de Junho

Camões poeta

O nosso tão esteta

O épico, o lírico divinamente

O artífice desconhecido diariamente

Foste atirado à Índia

Deportado, arrancado a Portugal

Amaste o teu país

Em verso e em reverso

Foste muito infeliz

Em destino pátrio e diverso

Ofereceste a tua alma épica

Ao teu Rei e País

E a sorte não quis

Que te elevassem em vida

Morreste na miséria e fome

Às portas de Lisboa

E o que mais me magoa

É ver as gerações de jovens

A cortar teus versos

Dividir orações

Sem sentirem as fundas emoções

Da tua alma alta

Perderem-se no curso

Do discurso gramatical

Sem se deterem no essencial

A Arte, a Poesia

Que contagia e inebria

Perdida, desperdiçada

Tão mal amada

Camões poeta

Lembrado a dia dez

Ó Portugal, desperta!

Agarra no teu Vate

Diz o seu verso, a sua arte

Ser Português

Seja ler Camões

Conhecê-lo

Citá-lo

Falar dele

Dar a conhecer ao mundo

Mestre tão profundo

Representar a sua obra

Que em tanta filigrana se desdobra

Portugal

Em Camões insista

Ser Português, seja ser Camões

Ser Português, seja ser artista.

 

 

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Publicado por Isabel Sá Lopes às 20:23

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Florbela espanta

Andei atrás de ti como uma louca

Sabendo que te queria

e não devia.

Andei atrás de ti como uma louca

Segui-te passo a passo com o olhar

Olhavas para mim e bem sabias

Ardias entranhado no meu corpo

Espraiavas-te, alongando-me a alma

Andei atrás de ti como uma louca

Queria que fosses meu

para todo o sempre

Sabias e até querias que fosse eu

a dar o passo, a estender a mão

Um dia foste embora sem fazer

um breve aceno com o corpo ou o olhar

Hoje voltaste

Passo por ti e sorrio, aliviada

Nada deixaste

Que eu quisesse guardar

Passou tanto tempo

e agora vejo

o tempo que eu perdi

julgando amar

Andei atrás de ti como uma louca

Não vou atrás de mais ninguém andar.

<>

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Publicado por Isabel Sá Lopes às 20:05

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Tiquetaque

Tiquetaque, tiquetaque

Essa arte que nos parte

Tenho de ir, não posso ficar

Quero ficar, mas tenho de ir

Teus ponteiros impiedosos

O tempo que nunca páras

As obrigações que disparas

O som do pêndulo

Que não esqueço

Que não mereço

Tiquetaque, tiquetaque

Prisioneira das horas

Dos minutos, dos segundos

Apertada nestes mundos

Do ter e do dever

Sem tempo para criar

Amar

Andar para a frente sempre

Olhar sem ver

Ouvir, sentir

Tiquetaque, tiquetaque

E não poder fugir

Aos grilhões firmes, persistentes

E com esgar e entre dentes

Odiar-te

Ladrão do nosso tempo

Ladrão do passatempo

Tiquetaque, tiquetaque

Eu quero viver desordens

Que não tenho

Que não posso

Escrava da hora que passa

Chegar tarde

O que é chegar tarde?

E a vida arde

E há prazer que tarda

Morte à hora

Tiquetaque, tiquetaque.

Fora!

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Publicado por Isabel Sá Lopes às 19:44

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Segunda-feira, 29 de Dezembro de 2008

Ondas

Ondas alterosas, revoltadas

Lançam-se contra as rochas tonitruantes

Rochas absortas, nem expectantes

Ondas, mãos verticais, atiradas ao Céu

Em preces perdidas

Insistentes

Desistentes

Ondas homéricas, sanguinárias

Tantas mortes, tantas e várias

Destruições, maremotos, naufrágios

Reais e presságios

Ondas temerosas, monstruosas

Ondulantes onduladas

Desenvoltas espraiadas

E já tão alvas, tão belas

Atiram-se às quentes areias

Que as atraem, quais sereias

Deitam-se e e enteiam-se

Ao calor do Sol

Tão fracas, tão sensíveis

Sensações impossíveis

Calmas, cada vez mais calmas

Esquecidas da revolta e dor

Longínqua a agonia

Beijam a praia

Inspiram a maresia

Sentem o Sol, a areia, o calor

Essa sinfonia

Esse Mar de Amor

Publicado por Isabel Sá Lopes às 16:40

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Ladainha

É vicioso, empastado, malcheiroso,

Por sua causa

o céu não é azul

o ar perdeu o tom e a limpidez

do mar a espuma preta

empresta, invade o areal

Por sua causa

fazem-se e desfazem-se guerras

criam-se e não se cumprem leis

Por Ele

o homem esquece o outro homem

o homem inventa um Deus

Ó Deus Petróleo

como te adoram e bajulam todos

Ó Deus Petróleo

Como são ricos os que em Ti confiam

Ó Deus Petróleo

Como se ajudam os que Te contêm

Ó Deus Petróleo

Como se desprezam mais e mais os outros

Ó Deus Petróleo

Não quero acreditar em ti

Insisto em acreditar no Homem.

 

Isabel Sá Lopes

 

Publicado por Isabel Sá Lopes às 16:33

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Sábado, 27 de Dezembro de 2008

Mar e Fogo

Mar e Fogo

 

Horizonte de vermelho e fogo

Longe o mar a arder

Mar e céu num abraço apertado

O nosso olhar desfraldado

Absorve esse cenário em brasa

Parece um aquário a arder

E o sol esconde-se a rir

Inferno e Beleza a unir

O infinito tornado finito

A cor, o tom abrasador

O olhar lançado ao fundo da imagem

Tão longe essa real miragem

À beira-mar a praia é um deserto,

Toalhas, bolas, crianças já não há

Cansada sumiu-se a miudagem

Fiquei sentada na areia molhada

A sentir a bênção da água cálida

A sorver o silêncio imenso à minha volta

O mar sem qualquer revolta

Vai e volta devagar

Vai e volta ao mesmo lugar

Ondas pequenas, amenas, voláteis

Sensações periféricas, feéricas

E o mar a arder

E o mar a amar

O sol a chispar fogo

Eu a querer ficar

Eu saber que é tarde

Eu não querer perder

Esse sol primeiro

Esse sol braseiro

Querer, absorver

Esse céu que arde.

 

Isabel Sá Lopes, 2008

Publicado por Isabel Sá Lopes às 16:36

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Quinta-feira, 11 de Setembro de 2008

Retrato

Não era muito alto e era magro

Os óculos grossos descansavam-lhe no nariz

A face e o rictus pesavam de raíz

Teimava com todos e com tudo

A perfeição é tão difícil de atingir

E querer chegar lá, sem jamais mentir

Não é impossível, é fado complicado

Cursava em Coimbra e trabalhava

Já tinha alunos a quem dava lições

Dizia-se que também dava sermões

ISTO está tudo mal, pá!

ISTO não é país!

ISTO está no final!

E atacava tudo nas suas canções

Não havia um senão

Neste país tudo eram frustrações

A LIBERDADE, pá

Onde é que ela está?

O pão? Poucos têm o seu quinhão

Estudar? Só para senhores

E filhos de doutores

ISTO está tudo mal, pá!

A canção que eu faço ataca

Mas não chega

ISTO não é PAÍS!

Sem LIBERDADE somos todos vis

Uma luz agora

Tu acreditas? EU NÃO!

ISTO só lá vai com um grande safanão

ISTO só lá vai se tudo fôr abaixo

Ditadores, bufos, pides

ISTO só com o POVO, REVOLUÇÃO

 

Isabel Sá Lopes 

Publicado por Isabel Sá Lopes às 17:16

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Outono

 

 

 

 

O vento atira-se às janelas

As árvores estremecem, tremem

Abanam sem parar

Lançar sombras fantasmagóricas

Alteram a aparência do lugar

O vento sopra, uiva, extenuado

Lança-se contra a pele, infeliz, arrepiado

As folhas balançam, desiquilibram-se

Tentam agarrar-se, viver

São arrancadas cerce, vão morrer

Tapetes castanhos, amarelo-avermelhados

Enchem as ruas, os jardins, as matas

Os pés levantam, arrastam

Esse manto belo, morto

E de súbito uma rajada

Estilhaça, espalha pelo ar

A dançar, a dançar

Folhas desenhadas com arte

Folhas enroladas por dedos mágicos

Côr e mais côr a rodopiar

A pena de não ter uma máquina

Para as agarrar e fixar

Pelas frinchas infiltra-se forte o frio

Nas nuvens negras a água pesa já

Em pouco tempo vai desabar

A Terra sedenta vai consolar

MAS A MIM NÃO

Faz-me falta o calor, a LUZ

A Festa do VERÃO.

 

Isabel Sá Lopes

 

Publicado por Isabel Sá Lopes às 17:00

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Amizade

Amizade

 

Estou aqui. Estou com vontade de não estar.

Lá fora vento, vento frio desabrido

Cabelos em farripas no ar

Gente abafada, agasalhos rentes ao pescoço

O alvoroço, de correr para casa

O desejo de não se constipar

Fugir à gripe e à rinite

Eu sinto o mesmo e fico

Por mim já me tinha ido embora

Por mim que não gosto de esperar

De estar só, do mau tempo

Eu que detesto o vento

Faz-me mal

É sempre um mau sinal

Do vento frio nada de bom espero

Desespero quase sempre

Será desta vez diferente

Estou aqui e este facto em si

Explica a Amizade

Isto não é bondade

Nem paciência, nem dormência

Isto é gostar de ver,

de comunicar, de saber

Se dou, recebo mais

O que dou e recebo nunca é demais

A vida sem isto pouco vale

O amigo não nos pede nada

Não nos dá notícias más

Não viramos as costas e zás

O amigo sossega o coração

E sempre estende a mão

Por isso eu estou aqui

Apetecendo-me ir embora

Não vás. Tu és capaz

Não vou. Aqui estou.

 

 

Isabel Sá Lopes

Publicado por Isabel Sá Lopes às 16:36

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Domingo, 27 de Julho de 2008

Estou Cansado

 

 

Estou cansado, é claro,
Porque, a certa altura, a gente tem que estar cansado.
De que estou cansado, não sei:
De nada me serviria sabê-lo,
Pois o cansaço fica na mesma.
A ferida dói como dói
E não em função da causa que a produziu.
Sim, estou cansado,
E um pouco sorridente
De o cansaço ser só isto —
Uma vontade de sono no corpo,
Um desejo de não pensar na alma,
E por cima de tudo uma transparência lúcida
Do entendimento retrospectivo...
E a luxúria única de não ter já esperanças?
Sou inteligente; eis tudo.
Tenho visto muito e entendido muito o que tenho visto,
E há um certo prazer até no cansaço que isto nos dá,
Que afinal a cabeça sempre serve para qualquer coisa.
Publicado por Isabel Sá Lopes às 18:52

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Dobrada à Moda do Porto

 

Um dia, num restaurante, fora do espaço e do tempo,
Serviram-me o amor como dobrada fria.
Disse delicadamente ao missionário da cozinha
Que a preferia quente,
Que a dobrada (e era à moda do Porto) nunca se come fria.
Impacientaram-se comigo.
Nunca se pode ter razão, nem num restaurante.
Não comi, não pedi outra coisa, paguei a conta,
E vim passear para toda a rua.

Quem sabe o que isto quer dizer?
Eu não sei, e foi comigo ...

(Sei muito bem que na infância de toda a gente houve um jardim,
Particular ou público, ou do vizinho.
Sei muito bem que brincarmos era o dono dele.
E que a tristeza é de hoje).

Sei isso muitas vezes,
Mas, se eu pedi amor, porque é que me trouxeram
Dobrada à moda do Porto fria?
Não é prato que se possa comer frio,
Mas trouxeram-mo frio.
Não me queixei, mas estava frio,

Nunca se pode comer frio, mas veio frio
 
Publicado por Isabel Sá Lopes às 18:37

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Quarta-feira, 23 de Julho de 2008

Viajar

 

Sou Portugal
Viajar é o meu sangue
O Mar está ali a olhar para mim
E eles, os Portugueses lá foram
Vagas fortes, simples caravelas
Comidas toscas, parcas
O estômago vazio
Doenças várias
Horríveis
O corpo cheio.
Quando o mundo instalado
Se sentava ao pé da porta
Eles, os Portugueses, e o mar
Abalaram sem saber
Que paragens tão além
Prontos a conhecer as gentes
Para lá da espuma, dos cabos
Da linha do horizonte
Apetrechos inventados,
Porque necessários
À fuga à terra,
À busca da outra terra
Sou Portugal
Viajar é o meu sangue
O céu está aqui a olhar para mim
E eles, os Portugueses, lá foram
Pelo ar
Em aves voadoras, timoratas
A atravessar ares e mares
Aos arrancos, solavancos
Sobressaltos
Aos assaltos destemidos
À aventura
Ao prazer
À fama
E ao mundo instalado
Almas assentes na terra.
Sou Portugal
Viajar é o meu sangue
Encontrado
Espalhado
Multiplicado
Pelo mundo
Sou Portugal
O mar é o meu sangue
O horizonte, o olhar.
Publicado por Isabel Sá Lopes às 18:48

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Eu gosto da cidade.

 

 

Eu gosto da cidade
Cada canto, cada esquina
Cada pranto, cada velho
Alvoroço, cada moço
Que corre, atropela
Para cá e para lá
Olá, como está?
Eu gosto da Cidade
Que tem alma
Da gente que a percorre
Do desconhecido, conhecido
Do amigo atrás de quem se vai
Do amigo do qual tudo se quer
Eu gosto da Cidade
E do prazer de cada madrugada
Sair de casa alada
E atirada à Vida
Amada e mais amada
Vivida e convivida
Eu gosto da Cidade
A gente em fila, o rio
O burburinho, o falar, pássaros a chilrear
Algazarra, multidão, o mar em fúria
Azulejo em cada monumento, beleza e arte
De uma seara ao vento
Criança tenra e terna em seu palrar
É verde, tão verde de encantar!
Eu gosto d’Eça
Eu gosto da Cidade
Mas não das Serras
Com essa intensidade
Eu gosto da Cidade
Que tem Alma
Eu gosto da Cidade
Que me acalma.
Publicado por Isabel Sá Lopes às 18:20

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Ler, Mãe

 

Ler aos seis
Era prazer já
Ler às seis
 Madrugadas frias
Escorregar devagar o corpo
Alma inebriada, quente
Das seis às sete
Corpo frio, luz difusa, calada
Assento duro, escuro
Alma arrebatada, alada
 Vidas, histórias lidas
Acantonada a uma janela
Com o sol dolente a inundar
Luar
Sol
Eu saber
Eu sentir
Dor, Amor
Só, acantonada
Tão acompanhada
Ler era o meu estudo
Ler era o meu escudo
Ler aos onze, doze
Ler aos treze, catorze
Ler, puro prazer
Sem cansaço, sem conforto
Sem tédio, sem tristeza
A beleza das palavras
Juntinhas pelas linhas
Palavras agarradas pelas ideias
Serpenteando pelas teias
Aranhadas, emaranhadas
Difusas confusas
Difíceis tácteis
Palavras mágicas, musicais
Palavras sensuais
Eu, de Alma vibrante
Esplendorosa, triunfante
Como o Sol a vencer a Lua
Ia vencer o dia
Não haveria nada
Que ensombrasse essa Alegria
Ler é meu
Ler é teu, tão teu, Mãe
Ler és tu e eu
Ler sou eu.
 
 
Publicado por Isabel Sá Lopes às 17:14

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